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segunda-feira, 27 de junho de 2016

APL: UM PROGRAMA VENCEDOR


Jefferson José da Conceição

Com dupla satisfação recebi a informação de que o Sebrae, no último dia 17 de junho, por intermédio das palavras do seu atual Presidente Nacional, o ex-ministro Guilherme Afif Domingos, premiou a Gestão do Prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, com o Selo de Prefeito Empreendedor. De acordo com o Sebrae SP, para participar da IX Edição do Prêmio Prefeito Empreendedor, a Cidade de São Bernardo inscreveu-se, em meados de 2015, com dois projetos.

Um dos projetos (inscrito no Sebrae sob o nº 1.354870/2015) apresentava a experiência de estruturação e execução de uma Rede de onze Arranjos Produtivos Locais (APLs) constituídos e coordenados pela Prefeitura entre 2012 e 2015. O outro projeto (o de nº 2.354870/2015) tratava da implantação da Incubadora de Empreendimentos Solidários de São Bernardo do Campo, a SBCSol, cujo modelo era então inédito no Brasil. A “Rede APLs Grande ABC-São Bernardo do Campo” concorreu na categoria “Melhor Projeto”.  A SBCSol competiu na categoria “Inovação e Sustentabilidade”.

A premiação ao Prefeito e o reconhecimento destas ricas experiências merecem ser registrados e comemorados. Já tive oportunidade de relatar a importante experiência da SBCSol constituída em 2012, em uma parceria envolvendo a Prefeitura de São Bernardo do Campo, a Universidade Metodista e a Finep. Em futuro breve, voltarei a abordar o enorme significado desta incubadora.

Neste artigo, porém, vamos tratar do projeto de implantação simultânea de onze APLs.

Do ponto de vista da Prefeitura - que coordenou a implantação de todos os APLs -, o projeto “Rede APLs” exigiu grande esforço, pois se tratava de constituir, ao mesmo tempo e de modo participativo, agendas setoriais de desenvolvimento baseadas na busca de diálogo para o enfrentamento dos problemas de cada uma das onze cadeias produtivas locais estratégicas. Este diálogo envolveu Prefeitura, outros órgãos públicos, empresas, sindicatos de trabalhadores, universidades, instituições de ensino técnico e instituições financeiras.

Mais: o projeto Rede APLs exigiu também que a agenda setorial fosse estabelecida com base em planejamento que levasse em conta timings distintos para as soluções dos problemas levantados. Portanto, todas as ações em curso enquadravam-se numa estratégia de curto, médio e longo prazo para cada uma das cadeias produtivas locais.

Por fim, ao trabalhar o conceito de cadeia produtiva, os APLs, de fato, apoiaram fortemente o empreendedorismo e a inclusão das micro e pequenas empresas nas políticas de fomento dos negócios.

Antes de aprofundarmos um pouco mais sobre os APLs de São Bernardo do Campo, cabe registrar que a Gestão Luiz Marinho já havia recebido o prêmio em edições anteriores.

As Premiações anteriores do Sebrae à Gestão do Prefeito Luiz Marinho: 2011/2012; 2013/2014

O Prefeito Luiz Marinho já havia ganhado o selo de Prefeito Empreendedor 2011/2012 e também o de 2013/2014.

Em relação à primeira premiação, matéria, de 16/10/2012, publicada pela área de comunicação da Prefeitura de São Bernardo, dizia:

“Entre as iniciativas inscritas [para concorrer à premiação do Sebrae]  figuram a promulgação, [em 2010] da Lei Geral no Município (isenção de taxas, alvarás, desburocratização para emissão de licenças e alvarás); a implantação da Sala do Empreendedor; o incentivo à participação das micro e pequenas empresas nas compras públicas do município; incentivo à inovação empresarial; a modernização administrativa (integração dos serviços ao cidadão e dos serviços ao empreendedor com a Sala do Empreendedor/Rede Fácil); a implantação da Central de Trabalho e Renda, CTR,  [em 2010]; as ações de incentivo ao associativismo e desenvolvimento das micro e pequenas empresas; o incentivo à comercialização e; a implantação do Centro de Inovação Sueco-Brasileiro (CISB) [em 2011]. São Bernardo foi uma das 91 cidades selecionadas entre 199 inscritas no Estado de São Paulo para concorrer ao selo. Os gestores que apresentaram projetos consistentes, contemplando política desenvolvimentista integradora, abrangente e inovadora, além do selo, tiveram suas iniciativas relatadas no Livro do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor.”

A nova premiação e o reconhecimento do papel dos APLs

O Prefeito Luiz Marinho merece esta nova premiação 2015/2016, antes de tudo, pelo conjunto de sua obra empreendedora. Parcialmente, este conjunto foi relatado no livro “A Cidade Desenvolvimentista: crescimento e diálogo social em São Bernardo do Campo, 2009-2015”, que eu e outros três autores lançamos no final de 2015, pela Editora da Fundação Perseu Abramo. O livro está disponível eletronicamente, de modo gratuito, no site da Editora. Trata-se de relato parcial entre outros motivos porque, obviamente, a gestão do Prefeito continua em curso até o final deste ano.

Para nós, a nova premiação do Sebrae também é o reconhecimento de dois projetos para os quais, a partir das diretrizes e do apoio do Prefeito, uma equipe de excelência, por nós coordenada, deu contribuição direta. No caso do Programa Rede APLs, esta equipe pôs em funcionamento simultâneo onze Arranjos Produtivos Locais: Ferramentaria; Defesa; Móveis; Têxtil e Confecções; Gráficas; Químico; Design, Audiovisual e Economia Criativa; Panificação; Restaurantes, bares e afins; turismo; pesqueiros.

Com efeito, a experiência dos APLs de São Bernardo/Região tornou-se de interesse e reflexão por parte de gestores públicos, empresários, sindicalistas, pesquisadores e instituições representativas de diversos segmentos. Dois exemplos bem ilustrativos, concernentes ao então inédito APL de Defesa, ilustram isto. Sublinhe-se, entretanto, que os demais APLs também foram objeto de atenção.

O primeiro exemplo reside nos emblemáticos e honrosos convites da Escola Superior de Guerra para que pudéssemos relatar a experiência do APL de Defesa de São Bernardo do Campo e Região do ABC. É sabido o grau de profundidade e excelência das discussões, reflexões e estudos desenvolvidos na ESG.

O segundo exemplo de interesse refere-se ao recente convite para que eu, na qualidade de Professor universitário, mas certamente também como ex-Secretário e responsável geral pelos APLs da cidade naquele período, componha a banca de qualificação de tese de mestrado cujo foco é a experiência do APL de Defesa de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Em seu projeto, o mestrando faz diversas referencias e comparações entre o APL de São Bernardo do Campo e o mais recentemente criado APL de Defesa de Santa Maria.

Os parágrafos as seguir foram extraídos do Livro “A Cidade Desenvolvimentista”, já citado. Alguns ajustes foram necessários, para sua reprodução no artigo. O livro resgata a experiência dos onze APLS, mas aqui focamos em apenas seis deles. O APL de Defesa foi objeto de outros artigos de minha autoria, aqui mesmo no ABCDMaior. Por esta razão, este APL ficou de fora da síntese que se segue. No livro, ele inclusive mereceu um capítulo à parte.

O que são APLs?

Os Arranjos Produtivos Locais, ou APLs, representam a aproximação e o diálogo entre empresas e instituições de um mesmo território para uma ação coordenada, visando o crescimento da produção e da competitividade. O APL contribui para levantar problemas comuns às empresas e para elaborar e executar políticas (públicas e privadas) que promovam, de modo duradouro, o fomento da atividade produtiva no território. Do diálogo (“arranjo”), também costumam participar associações representativas das empresas, universidades, instituições de ensino técnico e gestão pública. Em São Bernardo do Campo, entre 2012 e 2015, buscou-se aplicar em cada APL o formato internacionalmente conhecido como “tríplice hélice” (governance conjunta formada pela gestão pública, empresas e universidades, de projetos estratégicos).

Em regiões como a do Grande ABC, onde o movimento sindical é forte e propositivo, o sindicato de trabalhadores igualmente costuma participar e até mesmo liderar os APLs. As empresas de um APL pertencem, em geral, a uma mesma cadeia produtiva, mas, em cada caso, o APL pode ganhar diferentes configurações: pode se constituir de empresas produtoras de bens finais similares; de bens finais e de fornecedores; de fornecedores; de prestação de serviços etc.

Assim como as empresas podem ser de diferentes portes, nacionalidades, culturas empresariais, o APL pode ou não tornar-se uma pessoa jurídica formal.

A partir da experiência de diversos casos de sucesso, percebeu-se que os arranjos costumam gerar vantagens competitivas estruturais para as empresas e territórios a eles associados. Os APLs promovem uma série de sinergias entre os participantes, incentivando a cooperação nas áreas de produção, comercialização, financiamento, formação de recursos humanos, engenharia, projeto e inovação. Isto resulta em redução de custos, aumento das escalas de produção, incremento do valor agregado e expansão das áreas de pesquisa e desenvolvimento. Por esta razão, os APLs passaram a ser apoiados e estimulados. No Brasil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, bem como o BNDES, são exemplos de instituições que trabalham com programas de apoios a APLs.

 A política de desenvolvimento econômico da Prefeitura de São Bernardo do Campo também trabalhou, entre 2012 e 2015, na perspectiva de apoio ao surgimento e fortalecimento de APLs na cidade e região.

Em todos os APLs, buscou-se produzir diagnósticos dos problemas, elaborar e executar propostas de soluções e gerar articulações diversas.

O esforço resultou na formulação e execução de uma política setorial com resultados para cada segmento em questão e para a região como um todo. Procurou-se sempre contar com o apoio e envolvimento das entidades representativas que compõem cada cadeia produtiva (...).

Esse esforço obteve importante sucesso com o reconhecimento dos APLs de São Bernardo do Campo no Observatório Nacional de APLs do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior (MDIC) e no Núcleo Estadual de APLs, o que possibilitou a realização de convênio com a Caixa Econômica Federal para linha de crédito favorecido aos participantes dos APLs. Possibilitou também o intercâmbio de experiências e contatos e o aproveitamento de outras possíveis vantagens oferecidas aos APLs reconhecidos.

1) APL de Ferramentaria do Grande ABC

Este APL é o mais antigo de todos e registrou importantes avanços. Foi formado em 2011, com a união de empresários do setor no Grande ABC, entidades empresariais como Abifa, Abinfer e Abimaq, Sindicato dos metalúrgicos do ABC, Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá e Prefeituras de São Bernardo do Campo e Diadema.

Aos poucos, ele se constituiu em uma importante experiência de política industrial regional. Empresas, apoiadas pelo poder público, perceberam que, sem abdicar da concorrência, podiam e deviam utilizar-se da cooperação como instrumento em seu próprio benefício.

O que moveu as empresas a buscar a cooperação foi a crise, gerada pelos novos competidores, especialmente a China; e a redução das encomendas das montadoras. De 2008 a 2012, o país apresentou déficit na balança comercial de ferramentais de US$ 1,2 bilhão. Este quadro levou alguns empresários do segmento, as prefeituras da região (com destaque para São Bernardo do Campo e Diadema), o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Abifa, a Abinfer e a Abimaq a buscarem soluções conjuntas.

A partir dos objetivos citados, diversas ações e realizações do APL de ferramentaria tornaram-se realidade. Entre elas, destacamos:

 •a participação do APL no grupo de trabalho do governo federal que trata do Regime Automotivo;

• a inclusão dos moldes e ferramentais entre os itens beneficiados pelo Inovar-Auto (novo regime automotivo);

• o início das conversações com as montadoras, para incrementar as encomendas no Brasil;

• a reunião, em janeiro de 2013, do prefeito Luiz Marinho, acompanhado da coordenação do APL, com o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, na qual foram debatidas as políticas de financiamento, regime automotivo, manutenção de alíquotas da Tarifa Comum do Mercosul para itens sensíveis;

• o diálogo com o BNDES, para um programa de financiamento ao setor – o “pró-ferramentaria”;

• o início de uma programação de visitas de universidades a empresas, e, no sentido inverso, de empresas a universidades, cuja finalidade era buscar sinergia em projetos de P&D;

• a abertura de discussões no APL sobre a formação de um birô de engenharia, que envolvia um diálogo com universidades como UFABC, FEI e Instituto Mauá, bem como com o Senai e o Sebrae;

• a busca de diálogo com parceiros internacionais, como o instituto HIDA, do Japão, para joint ventures e parcerias com empresas daquele país;

• a participação do APL na fundação da Associação Parque Tecnológico de São Bernardo do Campo;

• o avanço na discussão do Estatuto do APL;

• a constituição do site www.aplferramentaria.com.br.

2) APL Gráfico do Grande ABC e baixada santista

Em 2009, o Sindicato das Indústrias e a Associação das Indústrias assinaram acordo de parceria e criam o APL. Os empresários que compõem o APL participaram de cursos de capacitação sobre “Atitudes Empreendedoras”. As empresas receberam capacitação, qualificação de mão de obra e assessorias em gestão.

Em 2013, a atuação do APL foi retomada com apoio da Prefeitura de São Bernardo do Campo. Organizou-se uma pauta. Participaram das reuniões o MDIC, o BNDES para apresentarem o pleito do setor.

Entre as principais ações do APL gráfico estiveram:

·        apresentação de diagnóstico do setor ao MDIC;

·        reunião com MDIC e MEC para discutir o pleito do setor;

·        elaboração de projeto de feira industrial;

·        organização de pauta com Senai, com a implantação de cursos específicos para qualificação de mão de obra na região do ABC;

·        elaboração de catálogo de indústrias locais;

·        inclusão de determinados papéis no cartão BNDES;

·        convênio com a caixa para concessão de linha de crédito para o APL.

·        A obtenção do cartão BNDES para papéis especiais foi uma das principais conquistas desse APL, que reúne o ABC e a baixada santista. Essa vantagem se estendeu a todas as empresas brasileiras do setor, o que mostrou mais uma vez o impacto positivo dos APLs em âmbito local, regional e nacional.

·        Este APL também lançou uma revista própria.

3) APL Têxtil e de Confecções do Grande ABC

A indústria têxtil e de confecções é uma das mais tradicionais cadeias produtivas. No Brasil, emprega 1,7 milhões de pessoas (as mulheres representam 75%). O país é o 5º maior produtor de têxteis e o 4º de vestuário. Sua participação no comércio mundial, porém, ainda é muito pequena: 25ª posição em têxteis e 81ª em vestuário, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit). No Grande ABC, em 2013, a produção foi de 37 mil ton. (têxtil) e 13 mil toneladas (confecções), gerando 9.700 empregos.

O setor enfrenta sérios desafios no que diz respeito à competitividade desde a década de 1990, com a abertura comercial. Esta indústria foi uma das que mais sofreu com a concorrência internacional, especialmente a asiática. As novas tecnologias internacionais tornaram muitos dos equipamentos nacionais obsoletos. Segundo a Abit, o setor de vestuário aumentou o volume de importação de 40 mil ton. em 1997 para 115 mil ton. em 2012.

A “guerra fiscal” também marcou o setor nos últimos anos. Na busca de uma mão de obra mais barata, isenções fiscais e infraestrutura, empresas se deslocaram, especialmente para o Nordeste. Isto agravou ainda mais os problemas nas tradicionais regiões de produção da indústria.

O Grande ABC buscou (...) gerar políticas que visam aumentar a competitividade do setor. O APL do Grande ABC, iniciado no final de 2013, trouxe à tona temas como qualificação de mão de obra, novos mercados e financiamento. Até meados de 2015, participaram da coordenação a Prefeitura de São Bernardo, o grupo VIC (Vestindo e Investindo em Confecção), o Sindicato dos Profissionais em confecção do Grande ABC e o Sebrae.

Parcerias com instituições como Senai e FEI geraram novos cursos de qualificação. O APL realizou também convênio com a Prefeitura de São Bernardo do Campo para conceder descontos aos servidores nas compras em lojas de confecção. Registre-se que a intenção do APL era estender também esta política para mais municípios. Convênio com a Caixa Econômica proporcionou linha de crédito com juros de 0,83% a.m. para capital de giro. Foi criado catálogo on line e enviado para toda rede de comércios e indústrias, visando a divulgação das empresas.

O APL buscou parceria com a Abit em áreas como de tratamento de resíduos sólidos, em face da nova legislação ambiental. (...). O APL contou com 35 empresas participantes da região.

Outras iniciativas foram discutidas, como a possibilidade de parceria com a FEI para uso de seu laboratório têxtil pelo APL.

4) APL Moveleiro do Grande ABC

Já havia um APL desde o ano de 2002, mas este estava em 2012 praticamente desativado há muito tempo. Foi formado, então, um novo APL, em 2012, no formato da tríplice hélice, participando empresários da indústria de móveis, lojistas, Prefeitura de São Bernardo do Campo e universidades.

Entre as principais ações deste APL estiveram:

·        realização de seis edições da feira de móveis na Rua Jurubatuba, com significativo acréscimo de vendas e grande afluência de consumidores;

·        acordo entre empresas do APL moveleiro e a administração municipal para a concessão de descontos aos servidores;

·        parceria com o Senai e posteriormente com o sindicato das indústrias moveleiras, para a elaboração e implementação de projeto de apartamento com mobiliário economicamente acessível aos moradores dos conjuntos habitacionais;

·        construção e implementação do site da Rua Jurubatuba3;

·        parceria com o Sebrae, consultoria gratuita de gestão;

·        lançamento em dezembro /2014 da Revista do APL moveleiro do Grande ABC;

·        elaboração e publicação (Notícias do Município) da resolução que recomendava a participação de pelo menos 50% de móveis produzidos na região do Grande ABC quando da realização das feiras de móveis da Rua Jurubatuba.

5) APL de Design, Audiovisual e Economia Criativa de São Bernardo do Campo

Este APL foi criado em 2013, a partir de iniciativas conjuntas da Prefeitura de São Bernardo do Campo, universidades (com destaque para o Instituto Mauá de Tecnologia e a UFABC) e empresas deste segmento.

O APL obteve já de início importante conquista: sua seleção por edital do Ministério da Cultura para fomento a APLs na área de economia criativa. De cinquenta e cinco (55) candidaturas, vinte e duas (22) foram aprovadas, duas delas no Estado de São Paulo, uma das quais é São Bernardo do Campo. Os recursos do MDIC visavam consolidar os APLs nessa área. O APL já iniciou com o apoio do governo federal e foi beneficiado com o apoio de uma empresa especializada na elaboração do seu plano de desenvolvimento. Uma das principais atuações do APL deveria ser contribuir com o projeto de revitalização do Estúdio Vera Cruz, que contaria com uma incubadora de empresas de audiovisual.

6) APL de Restaurantes, Bares e Afins

O APL de Restaurantes, Bares e Afins de São Bernardo do Campo foi criado em 2011. A finalidade do APL era, primeiramente, reunir as empresas do setor para que, em parceria com a gestão pública e outras instituições (Sebrae, Senac, universidades, associações empresariais, sindicatos de trabalhadores entre outros), buscassem soluções em conjunto para os diversos problemas em comum (...). O APL chegou a contar com aproximadamente 130 empresas entre comércios e indústrias.

O objetivo do APL era criar novas oportunidades de negócios para os estabelecimentos gastronômicos do município. Uma das ações originadas neste âmbito foi a primeira edição do Festival Rotas dos Sabores, em 2011. Depois dessa, várias outras ações passaram a fazer parte das atividades do APL: palestras sobre vigilância sanitária; cursos de manipulação de alimentos; cursos do departamento de zoonoses, especialmente o curso de controle de pragas; a licença sanitária simplificada, entre outros.

Diante de todo o exposto, pode-se considerar que, não obstante todas as dificuldades conjunturais e estruturais enfrentadas, o Rede APLs Grande ABC-São Bernardo do Campo, implementado entre 2012e 2015, foi de fato um programa vencedor.

Jefferson José da Conceição é Prof. Dr. da USCS e Atual Diretor da Adesampa. Foi Secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo entre janeiro de 2009 e julho de 2015.
Artigo publicado em 27/6/2016 no site do ABCDMaior (www.abcdmaior.com.br), na coluna blogs.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

APLs E INDÚSTRIAS DE PETROLEO, GAS E NAVAL

Jefferson José da Conceição e Flávia Beltran
O Brasil haverá de superar a crise atual e voltar à trilha do crescimento econômico, cujo último ciclo expansivo aconteceu entre 2004 e 2012. Um dos itens da nova agenda de crescimento certamente será a retomada dos investimentos em duas grandes cadeias produtivas: a de petróleo e gás (com a necessária superação do instável momento vivido pela Petrobrás) e a da indústria de materiais de defesa.
Antes da crise atual vivida no setor de petróleo e gás, a Petrobrás previa duplicar a produção até 2020, para 5 milhões de barris de petróleo por dia. Os investimentos entre 2014 e 2018 apontavam para valores superiores a US$ 221 bilhões. A mobilização para o pré-sal e para a cadeia de suprimentos representaria demanda de 38 plataformas de produção, 28 sondas de perfuração, 88 navios-tanque e navios de produtos e mais de 140 barcos de apoio. Entre 2013 e 2020, as encomendas projetadas para a indústria naval brasileira alcançavam US$ 100 bilhões, sendo que o conteúdo nacional médio seria de 65%. Estes números (ver fonte ao final do artigo) certamente serão revistos e sofrerão ajustes. Ainda assim, é de se esperar que, quando da retomada da economia brasileira, esses valores – mesmo que em novos patamares – continuarão representando grandes volumes e oportunidades.
Como exposto a seguir, o modelo de Arranjos Produtivos Locais (APLs) constituído nos últimos anos na Região do ABC, em particular a experiência vivenciada entre 2011 e 2015 a partir de São Bernardo do Campo, certamente serve como referência para o aprofundamento dos APLs das Indústrias de Petróleo, Gas e Naval já existentes no País, bem como para o surgimento de novos. Estes APLs podem e devem exercer importante papel nesta retomada que se avizinha.
Por sua vez, os APLs da Região do ABC poderão intensificar suas relações com a cadeia de petróleo e gás, bem como com indústria naval de defesa. Neste caso, cabe chamar a atenção para o importante entrelaçamento entre a cadeia de petróleo e gás e a cadeia da indústria de defesa. A ligação entre estas cadeias é importante para a Região do ABC tendo em vista o diálogo já aberto com a Marinha do Brasil (e também com o Exército e a Aeronáutica) e seus esforços de adensamento da Base Industrial de Defesa do País.
Na Região do ABC, a Refinaria de Capuava e o Polo Petroquímico da Braskem estão entre as atividades com alto grau de integração com a cadeia de petróleo, gás e naval. No entanto, as possibilidades de conexão do parque produtivo do ABC com esta cadeia produtiva vão além. Destacam-se ainda as seguintes fabricações hoje presentes na região: máquinas e equipamentos (bem como a reparação e instalação de máquinas e equipamentos); máquinas, aparelhos e materiais elétricos; equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos; produtos químicos; produtos de plástico e de borracha; metalurgia; transporte terrestre de carga; equipamentos de transporte. É de se considerar ainda as expressivas fabricações de móveis, produtos de alimentação, têxteis/confecções e produtos gráficos, presentes na Região do ABC. O parque produtivo do ABC é potencializado ainda pela localização estratégica (entre o Porto de Santos/Baixada Santista e a capital paulista), recursos humanos qualificados, expertise empresarial e excelência das instituições de ensino e pesquisa.
Somado a isto, é relevante destacar também que, a partir de 29 de janeiro de 2016, a Região do ABC passou a sediar, em São Bernardo do Campo, o 1º Centro de Excelência em Sonares da América Latina. Trata-se de investimento privado da empresa Omnisys (fabricante de radares) em projeto de interesse nacional, que conta com a parceria da Marinha do Brasil e o apoio da Prefeitura da cidade. O projeto insere-se na estratégia nacional de proteger a costa brasileira e de o País ter condições de, no futuro, produzir seus próprios submarinos, o que exige domínio tecnológico avançado.
Vale lembrar que a potencialidade da Região do ABC em ampliar sua participação no fornecimento de produtos e serviços à cadeia de petróleo, gás e naval foi tratada no livro “O ABC do Petróleo e Gás”, lançado em 2014 pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC. O livro, que está disponível no site da Agência, é coletânea organizada por Roberto Vital Anau. Entre os vários textos da obra, está o escrito pelo coautor deste artigo em parceria com o organizador: “Grande potencial e desafios a vencer: o adensamento da cadeia de petróleo e gás no ABC”.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 
A experiência dos APLs do ABC
A experiência do ABC Paulista na área dos APLs, no contexto da estratégia de territorialização do desenvolvimento da cidade de São Bernardo do Campo e Região, foi bastante rica e densa. Esta experiência pôde ser detalhada no livro “A Cidade Desenvolvimentista: crescimento e diálogo social em São Bernardo do Campo, 2009-2015”, lançado pela Editora da Fundação Perseu Abramo, ao final de 2015. Nesta obra (disponível gratuitamente no site da editora), o coautor deste artigo, em parceria com mais três autores, pôde abordar o conjunto de projetos desenvolvidos na Gestão do Prefeito Luiz Marinho, entre eles o conceito e o histórico dos 11 Arranjos Produtivos Locais que organizaram a agenda de desenvolvimento regional no período. Como exposto na referida obra:
“Arranjo Produtivo Local [APl] representa a aproximação e o diálogo entre empresas e instituições vinculadas à cadeia produtiva de um mesmo território para uma ação coordenada, visando o crescimento da produção e da competitividade. O APL contribui para levantar problemas comuns às empresas e para elaborar e executar políticas (públicas e privadas) que promovam, de modo duradouro, o fomento da atividade produtiva no território. (...) O formato segue o modelo internacionalmente conhecido como ‘tríplice hélice’ (setor produtivo, universidades e gestão pública) (...). Em todos os APLs, busca-se produzir diagnósticos dos problemas, elaborar e executar propostas de soluções e gerar articulações diversas. O esforço resulta na formulação e execução de uma política setorial com resultados para cada segmento em questão e região como um todo”.
Foram constituídos os seguintes APLs industriais no ABC entre 2011 e 2015: indústria de defesa; ferramentaria; autopeças; químico; móveis; panificação; gráficas; têxteis e confecções. No segmento de serviços, foram estruturados os APLs: Design, audiovisual e economia criativa; restaurantes, bares e afins; turismo; pesqueiros.
Tem sido grande o interesse nesta experiência do ABC em APLs, especialmente no que concerne à sua capacidade de governança e de articulação de atores e instituições relevantes que compõem as cadeias produtivas, com vistas à realização de processos cooperativos. Alguns exemplos ilustram isso: os convites da Escola Superior de Guerra para que pudéssemos expor sobre conteúdo do APL da Indústria de Defesa do Grande ABC; a participação do projeto de APLs do ABC como concorrente à premiação do SEBRAE em iniciativas inovadoras; o convite para que o coautor deste artigo participe em julho próximo de Banca de Avaliação de Tese de Mestrado sobre a experiência do APL de Santa Maria (Rio Grande do Sul), entre outras manifestações de interesse.
Os APLs das Indústrias de Petróleo, Gás e Naval
Em artigo de 2015, publicado pelo BNDES, João Luis Rossi, Paulo Sérgio Rodrigues Alonso e Pedro Penido Duarte Guimarães assim escreveram sobre a importância de APLs no segmento naval:
“As descobertas de enormes acúmulos de petróleo e gás na camada pré-sal permitem formular um novo modelo de desenvolvimento no Brasil. A Petrobras mantém seu papel de destaque, com investimentos portadores de demandas de materiais, máquinas, equipamentos e serviços especializados, que poderão ser produzidos e fornecidos pelas empresas nacionais, aumentando a geração da renda interna por meio do adensamento da cadeia produtiva e reduzindo o grau de dependência internacional.
A abordagem de arranjos produtivos locais (APLs) associa iniciativas já tradicionais de desenvolvimento de fornecedores a um olhar específico sobre o desenvolvimento do território. Pelo enfoque sistêmico, é possível articular as diferentes dimensões econômica, social, cultural, ambiental e político-institucional de cada território, mobilizando atores públicos e privados para desenhar novos modelos de articulação e desenvolvimento, a fim de implementar ações e instrumentos voltados ao adensamento do espaço produtivo e ao enraizamento das atividades produtivas nos territórios”.
Os autores chamam a atenção para as experiências internacionais bem-sucedidas na cadeia de produção de petróleo e gás, como são os casos de Reino Unido e da Noruega. Alertam que estas experiências mostram alguns pontos de convergência entre si: o papel indutor do poder público; o incentivo às empresas ancoras; o apoio à inovação por intermédio da forte aproximação entre indústria e universidades; o incentivo ao conteúdo local; o fortalecimento de grandes grupos econômicos locais; o incentivo à concentração geográfica, na forma de APLs e clusters.
O trabalho mostra ainda que vários benefícios podem ser atingidos quando se implementam APLs: incremento da produtividade e competitividade; inovação tecnológica; incremento do conteúdo local; ampliação e modernização do parque produtivo; territorialização de riquezas geradas; expansão do emprego e renda.
Na estratégia anterior desenvolvida pela Petrobrás, cinco territórios seriam, segundo o mesmo estudo, precursores para a constituição de APLs de petróleo, gás e naval: Rio Grande e entorno (RS), Ipatinga e em torno (MG), Ipojuca e entorno (PE), Itaboraí e entorno (RJ) e Maragogipe e entorno (BA).
Neste sentido, entre estes territórios, chama-nos a atenção o caso de Ipatinga e em torno, conhecido como “Vale do Aço”, por sua relativa semelhança com a Região do Grande ABC, guardadas as devidas proporções. Esta semelhança, a nosso ver, se deve à existência de um polo metal-mecânico expressivo (no caso da região mineira, mais focado no atendimento às ancoras Usiminas e Aperam, ex-Acesita) – polo este que, atualmente, busca maior diversificação da sua produção.
A abordagem acima exposta é similar à proposta pelo Vice-Almirante Edesio Teixeira Lima Junior, atual Assessor Especial do Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e ex-Diretor de Abastecimento e Comandante da Base de Abastecimento da Marinha no RJ. Em documento elaborado para o Forum Empresarial de Defesa e Segurança da Firjan, intitulado “Ações a empreender”, o autor afirma:
“Nos últimos anos, o planejamento governamental, tendo como pano de fundo a prospecção e exploração offshore de petróleo, fez renascer a relevância da “Indústria Marítima” (todos os segmentos de negócio relacionados ao mar) para o país, na qual a construção e a reparação naval, tanto no segmento mercante como no de defesa, representam importantes atividades industriais sob o conceito de indústria-chave de um determinado setor.
A moderna concepção de modelo para o desenvolvimento do setor marítimo deve descartar o intervencionismo estatal e ressaltar a parceria, com ênfase na capacidade de auto-organização do capital privado (este é que deverá promover a mobilização e a coordenação dos esforços dos diversos segmentos produtivos envolvidos), cabendo ao Governo colaborar nessa mobilização e apoiar esses esforços com políticas (industrial, tecnológica, comercial, fiscal e creditícia) e investimentos públicos que maximizem os impactos sobre o próprio setor marítimo e sobre os demais setores que compõem a estrutura produtiva do país (o novo marco regulatório para a indústria de defesa e os investimentos previstos no Plano de Articulação e Equipamentos de Defesa – PAED, são exemplos práticos da tentativa do governo cumprir suas responsabilidades (...)
A abordagem proposta para o setor marítimo - onde a indústria naval de defesa se insere - é a da formação de Arranjos Produtivos Locais (APLs) de atividades econômicas, como estratégia de desenvolvimento industrial focalizado em espaços geográficos”.
De fato, os APLs de petróleo, gás e Naval – como o do RJ, Bahia, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e Amazonas -, assim como os APLs da Indústria de Defesa (entre eles, o APL do Grande ABC, o APL de Santa Maria no RS e o APL de Minas Gerais), podem contribuir, sobretudo, na potencialização da ferramenta do planejamento e de processos cooperativos que envolvam governos (federal, estadual e municipal), empresários, sindicatos de trabalhadores e instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, entre outras.
A agenda de trabalho certamente aprofundará itens essenciais para a competitividade da cadeia produtiva de petróleo, gás e naval e dos respectivos territórios produtores. Entre esses itens certamente está a nacionalização de componentes, capacitação de mão-de-obra, fortalecimento de fornecedores, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), financiamento, parcerias nacionais e internacionais, compras públicas e novos mercados.
No caso do APL Naval do Rio Janeiro, uma das prioridades é promover uma estratégia que envolva a discussão da construção, reparação e manutenção de novos navios (estaleiros civis e militares; bases navais; centros de reparo especializados); operações logísticas; fabricação de armas e munições; embarcações miúdas (operativas e de apoio); insumos básicos; ciência, tecnologia e inovação; serviços marítimos e portuários.
Uma das ações do APL em andamento neste momento -  informa-nos a equipe que assessora o Vice-Almirante Edesio Teixeira Lima Junior -  constitui-se na assim denominada "Iniciativa Rosetta", fruto das medidas propostas Comitê Naval de Defesa “Almirante Armando Amorim Ferreira Vidigal”. Esta iniciativa consiste na reunião de empresas com atuação na indústria de defesa em um cadastro único, cujo objetivo final é a Mobilização e Compras. A finalidade é incrementar o cadastramento de empresas vinculadas à indústria naval de defesa e a catalogação dos respectivos produtos no sistema OTAN.
Jefferson José da Conceição é Prof. Dr. da USCS e Atual Diretor da Adesampa. Foi Secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo entre janeiro de 2009 e julho de 2015. Constituiu e dirigiu o APL de Defesa do Grande ABC no período.
Flávia Beltran é funcionária da Prefeitura de São Bernardo do Campo. Foi Coordenadora Técnica do APL de Defesa do Grande ABC até julho de 2015. flaviabeltran@hotmail.com
Os números do segundo parágrafo deste artigo foram extraídos do texto “Oportunidades e desafios do desenvolvimento de APLs e territórios no setor de petróleo, gás e naval”, de João Luis Rossi, Paulo Sérgio Rodrigues Alonso e Pedro Penido Duarte Guimarães. BNDES, 2015

Artigo publicado em 13/6/2016 no site do ABCDMaior (www.abcdmaior.com.br), coluna blogs.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Arranjos Produtivos Locais - APLs


Jornal ABC Maior – EDIÇÃO Nº 544 – 05 de março de 2013

Jefferson José da Conceição


Arranjo Produtivo Local, ou APL, representa a aproximação e o diálogo entre empresas de um mesmo território para uma ação coordenada, visando o crescimento da produção e da competitividade. O APL contribui para levantar problemas comuns às empresas e para elaborar e executar políticas (públicas e privadas) que promovam, de modo duradouro, o fomento da atividade produtiva no território. Do diálogo (“arranjo”), também costumam participar associações representativas das empresas, universidades, instituições de ensino técnico e gestão pública.

Em regiões como o ABCD, onde o movimento sindical é forte e propositivo, o sindicato de trabalhadores igualmente costuma participar e até mesmo liderar os APLs. As   empresas de um APL pertencem, em geral, a uma mesma cadeia produtiva, mas, em cada caso, o APL pode ganhar diferentes configurações: pode se constituir de empresas produtoras de bens finais similares; de bens finais e de fornecedores; de fornecedores; de prestação de serviços etc.

Assim como as empresas podem ser de diferentes portes, nacionalidades, culturas empresariais, o APL pode ou não tornar-se uma pessoa jurídica.

Nas últimas décadas, os APLs passaram a ser olhados com mais atenção. A partir da experiência de diversos casos de sucesso, percebeu-se que os arranjos costumam gerar vantagens competitivas estruturais para as empresas e territórios a eles associados. Os APLs promovem uma série de sinergias entre os participantes, incentivando a  cooperação nas áreas de produção, comercialização, financiamento, formação de  recursos humanos, engenharia, projeto e inovação. Isto resulta em redução de  custos, aumento das escalas de produção, incremento do valor agregado e expansão das áreas de pesquisa e desenvolvimento. Por esta razão, os APLs passaram a ser  poiados e estimulados. No Brasil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e  Comércio Exterior, bem como o BNDES, são exemplos.

A política de desenvolvimento econômico de São Bernardo também trabalha na perspectiva de apoio ao surgimento e fortalecimento de APLs na cidade e Região. É uma de nossas prioridades no campo empresarial, conforme nos orientou o prefeito Luiz Marinho. Na indústria, são os seguintes os APLs que temos buscado priorizar: 1) Ferramentaria; 2) Autopeças; 3) Químico; 4) Defesa; 5) Móveis; 6) Panificação; 7) Gráficas.No segmento de comércio e serviços: 8) Restaurantes, bares e afins; 9) Turismo.

Em todos os APLs, buscamos produzir diagnósticos dos problemas, elaborar e executar propostas de soluções e gerar articulações diversas.

O esforço resulta na formulação e execução de uma política setorial com resultados para cada segmento em questão e para a Região como um todo. Procuramos sempre contar com o apoio e envolvimento de nossas entidades representativas, o Ciesp, Acisbec, sindicatos de trabalhadores, sindicatos patronais, associações empresariais, universidades, entre outros.

Os bons resultados são visíveis e mensuráveis, como atestam os casos da ferramentaria, móveis e turismo.


Jefferson José da Conceição*  é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São

#Arranjosprodutivoslocais#apls

domingo, 30 de novembro de 2014

Revista do APL de Móveis do Grande ABC


Secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo no período: Jefferson José da Conceição

Para  acessar a Revista, clique no link abaixo:

Revista do APL de Defesa

terça-feira, 14 de maio de 2013

Móveis mais baratos para os servidores


2 ABCDMAIOR | 14 e 15 de maio de 2013

 
Jefferson José da Conceição e José Augusto Pereira

O acordo para viabilizar a venda de móveis com desconto aos funcionários públicos na ativa e aos funcionários aposentados de São Bernardo, recentemente assinado entre a Prefeitura, os lojistas de móveis da cidade e o Sindserv SBC (Sindicato dos Servidores) pode servir como modelo a ser reproduzido em outros setores que representam peso expressivo no consumo das famílias e que têm peso elevado na estrutura industrial da Região.

 
Pelo acordo, os lojistas que aderiram e os que venham a aderir ao protocolo de intenções comprometem-se a oferecer aos servidores públicos, pelo prazo de sessenta dias, descontos de no mínimo 20% sobre o preço à vista de qualquer móvel a venda no interior das lojas, ou 10% sobre o preço a prazo.
 

São vários os objetivos do acordo. Um deles é aumentar os níveis de produção, emprego e renda, seguindo as diretrizes que orientam o APL (Arranjo Produtivo Local) deste segmento, coordenado pela Prefeitura. Esta medida contribui para dar sequencia ao processo de elaboração e execução de políticas públicas e privadas de fomento à cadeia moveleira. O APL é formado pela gestão pública, as indústrias, os lojistas, os trabalhadores, o Sebrae, o Senai, as universidades e as instituições representativas desta cadeia produtiva.


A aproximação e a cooperação resultaram no sucesso das quatro feiras de móveis ocorridas na rua Jurubatuba desde 2011. Mais ainda, estão entre os itens em discussão no APL: a oferta de mobílias a preços acessíveis para os conjuntos habitacionais; a constituição de um centro de design no futuro Parque Tecnológico; o melhor aproveitamento do laboratório de teste de móveis existente na região; a elaboração de novos cursos do Senai e do Sebrae; o acesso ao crédito; e a participação nos debates relativos à carga tributária representada pelo IPI e ICMS .

 
Até o momento, mais de duas dezenas de empresas já aderiram ao acordo de redução dos preços para os servidores. Todas elas situadas na área do entorno da Rua Jurubatuba. Entretanto, interessa ao APL Moveleiro contar também com a adesão das lojas da rua Marechal Deodoro, do Rudge Ramos, do Taboão, do Riacho Grande, entre outros bairros e áreas da cidade. Além de fomentar a atividade destas lojas, isto ajudará a abrir o leque de opções de preços e produtos para os servidores.

 
O acordo também se insere na política de valorização dos servidores públicos que o prefeito Luiz Marinho vem imprimindo em sua gestão. Neste sentido, cabe igualmente registrar outras ações implementadas e em andamento como a realização de cursos de capacitação pessoal e profissional, a melhoria na estrutura e no ambiente de trabalho, além do reajuste e aumento real dos salários.

 

*José Augusto Pereira é secretário de Administração e Modernização Administrativa de São Bernardo.

**Jefferson José da Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Acordo histórico no setor moveleiro


 
 
 
 
 

 

 
Iniciativa é passo importante no esforço da revitalização da cadeia produtiva

O recente acordo que reduziu os preços dos móveis para os moradores dos conjuntos habitacionais, promovido pela Prefeitura de São Bernardo, com a assinatura do prefeito Luiz Marinho e de representantes da cadeia produtiva moveleira (indústria, lojistas e sindicatos de trabalhadores), é de fato histórico. Representa passo importante no esforço da revitalização da cadeia produtiva que, nas últimas décadas, esteve sob o risco do desaparecimento em nossa Região.
Guerra fiscal, falta de atualização de produtos, inadequação de processos produtivos e ausência de políticas públicas e privadas de apoio resultaram no deslocamento de inúmeras empresas do ABCD para outros municípios e estados. Em São Bernardo, entre 1998 e 2008, o número de estabelecimentos foi reduzido em 35%. No mesmo período, o número de empregados com carteira caiu de 2.342 para 1.790.
A realização e o sucesso de duas edições da Feira de Móveis na rua Jurubatuba em 2011, na parceria que envolveu a Prefeitura e os lojistas, foi o primeiro passo em uma sequencia de ações planejadas pelo Grupo de Trabalho (GT) do setor moveleiro de São Bernardo. O Senai e o Sebrae também fazem parte do GT.
O acordo, que tem validade por 12 meses, estabelece o seguinte.
a) Para os moradores dos conjuntos habitacionais construídos pela Prefeitura será concedido desconto de no mínimo 25% sobre o preço à vista de qualquer móvel que esteja sendo vendido nas lojas integrantes do acordo, e de no mínimo 15% sobre o preço a prazo.
b) Compromisso da cadeia moveleira (indústria e lojistas) de que, nas próximas inaugurações de apartamentos nos conjuntos habitacionais, a indústria local apresentará protótipo de apartamento decorado apenas com móveis produzidos pela indústria local. A intenção é demonstrar que os móveis produzidos em São Bernardo e Região estão aptos a mobiliar, com preços reduzidos e boa qualidade, não apenas as unidades habitacionais, mas os lares em geral.
c) No âmbito do GT, desenvolver políticas em torno de temas estratégicos para o incremento do investimento, modernização e competitividade do setor, tais como a requalificação da rua Jurubatuba; a melhoria dos níveis de escolarização e capacitação profissional dos trabalhadores do setor, bem como a melhoria das relações de trabalho no interior das empresas;  a participação dos representantes da cadeia moveleira na Associação Parque Tecnológico de São Bernardo, ora em constituição, e que possibilitará a montagem de empresas de design de móveis.
Há ainda outros pontos que merecem atenção. São os casos do apoio à formalização, capacitação e modernização do grande número de marceneiros independentes que temos no ABCD, e da formulação e execução de uma política de reciclagem de madeira.
Por tudo isto é que temos certeza que, com estas e outras ações planejadas para o setor moveleiro, a palavra “crise” está pouco a pouco dando lugar à outra que é a da “retomada” da produção, das vendas e do emprego.
*Jefferson José da Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo.