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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Um assento histórico para o ABCD


09/05/2014 - ARTIGO ED. 729
 
Por: Jeferson Conceição

 

São Bernardo é protagonista na construção de novo polo de defesa
Na qualidade de secretário de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo e Coordenador Geral do APL (Arranjo Produtivo Local) de Defesa do ABCD, estive no último dia 30 de abril, em Brasília, na Reunião do Conselho de Competitividade de Defesa, Aeronáutico e Espacial, instância do Plano Brasil Maior, que reúne o governo federal e a cadeia produtiva da defesa. A reunião ocorreu na sede da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial). Foi a primeira vez que nosso APL foi convidado para este importante conselho, um dos espaços de discussão e elaboração da política de defesa do Brasil.

Neste dia, o Conselho discutiu o relatório de acompanhamento das agendas estratégicas no segmento de defesa. Dentre os temas abordados estavam o financiamento da indústria de defesa; a questão das compras públicas e as preocupações com os cortes orçamentários; o alinhamento das compras de produtos de defesa com a estratégia nacional de defesa e a regulamentação da lei nº 12.598/12, que trata da tributação especial para produtos de defesa o Retid (Regime Especial Tributário para a Indústria da Defesa); o Sistema Nacional de Homologação de Produtos de Defesa e Credenciamento de Empresas de Defesa; a viabilidade técnica-operacional para a implantação de um programa de plataformas demonstradoras tecnológicas, identificação de empresas nacionais e ICTs (Institutos de Ciência e Tecnologia) com condições de compartilhar os riscos tecnológicos a um projeto piloto; a capacitação de recursos humanos, entre outros.

O brigadeiro José Euclides, do Ministério da Defesa e coordenador do conselho, elogiou enfaticamente a atuação da Prefeitura de São Bernardo e do prefeito Luiz Marinho neste tema, que é de interesse não apenas de São Bernardo e Região, mas do Brasil. É sabido o papel exercido pelo prefeito na vinda de uma fábrica de aeroestrutura vinculada ao projeto do caça supersônico Gripen para o ABCD.

Maria Luisa Campos Machado Leal, presidenta substituta da ABDI, destacou, entre outros pontos, que a indústria de defesa passou definitivamente a fazer parte da pauta de prioridades não apenas das Forças Armadas, mas de diversos outros atores, como o parlamento, os sindicatos, as universidades e as regiões e os municípios.

O APL de Defesa do ABCD passará a ter assento permanente nas reuniões do Conselho. Nosso APL parte de uma visão pacifista, mas também da convicção de que não se constrói um país desenvolvido sem uma sólida indústria de defesa e segurança. Assim, o APL de Defesa – do qual participam a Prefeitura de São Bernardo, a Agência de Desenvolvimento Econômico, dezenas de empresas da Região, sindicatos de trabalhadores (como o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), Senai, universidades, entre outras instituições – vem trabalhando na perspectiva de aumentar a participação da indústria da Região na base industrial de defesa do País. Parabéns a todos os participantes do APL de Defesa do ABCD por mais esta conquista!
*Jefferson Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo e coordenador do APL de Defesa ABCD.

terça-feira, 29 de abril de 2014

A carta da ferramentaria para o governo federal


29/04/2014 - ARTIGO
 
Por: Jefferson Conceição (jefferson.jose@saobernardo.sp.gov.br)

 

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Agentes querem medidas para reforçar setor automotivo

A reunião do APL (Arranjo Produtivo Local) de Ferramentaria do ABCD de 25 de abril estava programada para discutir temas estruturais sobre os quais o APL têm se debruçado, como o Centro de Desenvolvimento em Ferramentaria do Brasil, a linha de financiamento para o segmento e o Pronatec – todos alinhados com o InovarAuto e o Plano Brasil Maior, do governo federal. Mas a preocupação com a conjuntura do setor automotivo – queda de vendas internas, expansão dos saldos negativos na balança comercial, férias coletivas, anúncio de layoffs, suspensão de contratações, anúncio de demissões – norteou a reunião.

Estiveram presentes empresários e membros da coordenação do arranjo como Agência de Desenvolvimento Econômico; Sindicato dos Metalúrgicos do ABC; Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá; Instituto Mauá de Tecnologia; Abinfer; Abimaq e Prefeitura de São Bernardo.

Os membros do APL decidiram reforçar o pleito recentemente apresentado ao governo pelos representantes sindicais, que aponta para a necessidade de incentivos emergenciais relacionados aos tributos internos sobre o consumo de veículos e para a constituição de linhas de financiamento que aumentem a liquidez para as vendas de automóveis e caminhões. O APL decidiu elaborar uma carta, a ser enviada ao governo, com propostas adicionais.

A primeira das propostas é a redução da participação de insumos, peças, moldes e ferramentais importados para a produção de veículos, no montante de pelo menos 15%, por meio de mecanismos que, no âmbito das normas da OMC, aumentem a tributação dos importados. Registre-se que os déficits das balanças comerciais, em 2013, dos segmentos de autopeças e de máquinas e equipamentos foram superiores a, respectivamente, US$ 13 bilhões e US$ 20 bilhões.

A carta propõe a manutenção do nível de emprego na cadeia automotiva, que representa importante compromisso das empresas do APL com o diálogo e com a continuidade do crescimento do País. O APL solicita ao governo que, associado aos incentivos emergenciais discutidos no segmento de veículos básicos, cobre compromisso das montadoras com a redução dos preços dos veículos.

Reivindicam-se também a adequação técnica dos “Cadernos de Encargos” das montadoras; e a aceleração, pelo BNDES, da linha de financiamento para a cadeia de ferramentaria.

Há também propostas na área de P&D: a) apoio financeiro das montadoras a Projetos de P&D “externos” a elas, como o já mencionado Centro de Desenvolvimento em Ferramentaria, apresentado pelo APL; b) compromisso das montadoras em contratar e executar, no mercado nacional, gastos de P&D em projetos, simulação computacional e desenvolvimento de moldes e ferramental e gastos de Tecnologia Industrial de Base (TIB) na construção de meios de produção para conformação e injeção; c) compromisso das montadoras e sistemistas na execução de projetos de melhoria de competitividade e capacitação da cadeia de fornecedores nacionais, em conjunto com instituições de ensino e pesquisas.
*Jefferson Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Salário mínimo: duas visões





24/04/2014 - ARTIGO

 

Por: Jeferson José da Conceição (jefferson.jose@saobernardo.sp.gov.br)

 




http://www.abcdmaior.com.br/imagens/upload/noticias/58651.jpg


Valorização do salário mínimo não afetou contas públicas


Em 1994, o SM (Salário Mínimo) atingiu um dos seus patamares mais baixos: correspondeu a apenas 25% do poder de compra que tinha em 1940, quando foi criado. O SM sofreu uma pequena recuperação no governo FHC, mas ainda atingia em 2002 menos de 1/3 do seu poder de compra de 1940.

A recuperação forte se deu a partir dos governos Lula e Dilma. Entre 2003 e 2014, o SM teve aumento real de 72,3% acima da inflação. Neste período, estabeleceu-se a PVSM (Política de Valorização do Salário Mínimo), recentemente elogiada em relatório da OIT.

Registre-se o papel fundamental que teve o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, para a construção da PVSM. Em 2004, Marinho era o presidente da CUT, que elaborou a proposta de negociação de longo prazo e realizou a 1ª Marcha Nacional pelo SM.

Já como ministro do Trabalho, Marinho, em 2005, conduziu as negociações que resultaram na fixação do SM em 2006. Em 2007, o governo Lula adotou critérios de longo prazo para o SM. A PVSM garante ao piso reajuste anual correspondente à inflação do ano anterior acrescido da variação do PIB de dois anos anteriores, portanto contínuo aumento real para o SM. Entre 2005 e 2014, o aumento real do SM foi de 5,4% ao ano, em média.

Ao contrário do que apregoavam os alarmistas, a PVSM não “explodiu” as contas públicas, não causou inflação e não comprometeu a competitividade industrial. Ao contrário, seus efeitos positivos difundiram-se por toda a economia: aumento da massa salarial, distribuição de renda, elevação do consumo, geração de empregos e dinamização das regiões mais pobres e aumento da arrecadação (o Dieese estima em cerca de R$ 13 bilhões a arrecadação sobre o consumo somente com o aumento do SM). No Brasil, 48 milhões de pessoas vivem diretamente do SM.

A PVSM foi acordada em 2007 entre o governo federal e as centrais sindicais para valer até 2023. A intenção é aproximar o SM (atualmente em R$ 724,00) do valor necessário para garantir a sobrevivência do trabalhador e sua família, conforme prega a Constituição Federal, calculado pelo Dieese em R$ 2.992,00, aos preços de 2014.

Mas a PVSM está em risco. Há os que insistem em não reconhecê-la como peça do desenvolvimento. Um exemplo é a declaração recente do economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e um dos principais cotados para assumir o Ministério da Fazenda, na hipótese de vitória do principal candidato de oposição ao governo Dilma. Fraga disse no jornal O Estado de São Paulo: “O SM está muito alto (...). O SM cresceu muito ao longo dos anos. O salário em geral precisa guardar alguma proporção com a produtividade, sob pena de, em algum momento, engessar o mercado de trabalho”.

Portanto, nas próximas eleições presidenciais estão em jogo duas visões bem distintas de gestão da economia brasileira. A primeira, a que considera a PVSM como parte essencial do tripé inclusão-crescimento do mercado interno-geração de empregos. A outra é a que vê a PVSM como ação contrária à austeridade fiscal, geradora de inflação e redutora da competitividade nacional.

*Jefferson Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

FHC e a ausencia do diálogo social


   Publicado no Jornal ABCDMaior em 14 de fevereiro de 2014

 
 

Continuo o resgate do período FHC (1994-2002) e dos seus efeitos. Tratei das políticas  macroeconômicas e industriais (81 mil empregos eliminados na indústria da Região) e da guerra fiscal (fechamento de empresas e perda de tecnologias aqui, sem ganhos significativos

de emprego em outras localidades). Hoje, abordo a questão da ausência de participação dos atores sociais na formulação e execução das políticas públicas ao longo do período. Para o ABCD, cujo forte, há décadas, é a alta densidade institucional, organização dos atores e capacidade de elaboração, articulação e mobilização política, o ambiente de efetivo “fechamento de portas” do governo FHC representou o travamento do diálogo e a subordinação à lógica imperante do mercado. FHC vem à Região no dia 17 palestrar sobre o desenvolvimento dos municípios. Haverá bajulações, mas cabe este resgate crítico. Pode ser objeto das reflexões de FHC por aqui.

 

O diálogo social não teve espaço no governo FHC, que almejou reformas em direção ao livre funcionamento do mercado: redução ou flexibilização (para baixo) dos direitos trabalhistas; eliminação da aposentadoria por tempo de serviço, redução dos rendimentos dos aposentados e privatização da previdência; fim da estabilidade do emprego dos servidores; abertura comercial acelerada e sem salvaguardas à indústria nacional, entre outras. São apenas alguns dos exemplos das políticas neoliberais tentadas. Algumas com sucesso, outras não. FHC não gostava de ser chamado de neoliberal. Para ele, as críticas não passavam de “nhenhenhém”, como chegou a dizer. O fato é que suas políticas respeitaram todo o receituário do Consenso de Washington.

 

Não há no governo FHC o registro de qualquer fórum multipartite que representasse um processo de abertura ao diálogo para a  construção coletiva das política públicas. Não há em seu governo um espaço, por exemplo, como o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, criado, em 2003, por Lula e continuado por Dilma. O conselho, formado por membros das igrejas, empresários, sindicatos, ONGs, universidades, etc, tem sido importante ao discutir políticas como a Agenda Nacional de Desenvolvimento; recomendações para enfrentar a crise econômica internacional; proposições para reforma tributária e política; a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica e a Agenda Nacional do Trabalho Decente. E foram muitos os fóruns tripartites ou multipartites constituídos nos últimos dez anos. O governo FHC, ao contrário, eliminou fóruns bem sucedidos como a Câmara Setorial Automotiva, criada em 1992.

 

Não deixa de ser paradoxal, que, ao longo da gestão FHC, o ABCD, como reação aos efeitos das políticas em curso, tenha sido palco de algumas das experiências mais ricas e inovadoras em termos de diálogo social: Fórum da Cidadania; Câmara Regional; Agencia de Desenvolvimento Econômico. Mas estes fóruns fortaleceram-se sem qualquer apoio efetivo do então governo federal.

 

*Jefferson Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A ‘Outra Economia’


24/01/2014 - ARTIGO
 
Por: Jefferson Conceição*

 

Falaremos da economia solidária
Nos últimos artigos aqui publicados, discutimos as possibilidades das políticas de desenvolvimento econômico local. Vimos o papel dos APLs, dos Fóruns tripartites e do ambiente de inovação. As grandes e as médias empresas costumam ser as principais beneficiárias destas políticas. Hoje, começaremos a tratar daquela outra metade da economia, formada pelos pequenos negócios. Ter políticas públicas para esta parcela é essencial em uma estratégia de desenvolvimento local. Neste, falaremos da economia solidária. No próximo, do empreendedorismo.
A Economia Solidária vem de longa data: desde o século 19, quando experiências socialistas europeias buscaram constituir uma economia não capitalista, baseada no cooperativismo. Apesar da longa trajetória percorrida, ainda permanece um desafio: como cultivar os princípios da solidariedade, inclusão, cooperação e geração de renda em um contexto em que predomina o modo de organização capitalista? Como concorrer com os preços, qualidades, marcas e prazos das empresas capitalistas?
No Brasil, a Economia Solidária – que tem origens ligadas às cooperativas agrícolas– foi retomada com força a partir da década de 1990, quando se verificou grande número de empresas falidas. No ABCD, o sindicalismo apresentou o cooperativismo de produção como forma de manutenção da fábrica (seu maquinário e postos de trabalho). Isto ampliou a abrangência da economia solidária local, que vai dos microempreendimentos de inclusão de segmentos mais vulneráveis até grandes fábricas geridas pelos cooperativados.
A Economia Solidária se fortaleceu no governo Lula com a constituição, em 2003, da Secretaria Nacional de Economia Solidária, e continua a se expandir na gestão Dilma. E há muito a se avançar em itens como financiamento; comercialização; capacitação gerencial; formação de redes e parcerias.
Ainda são poucos os governos municipais e estaduais que efetivamente têm uma política de apoio à economia solidária. Neste contexto, a política pública da Prefeitura de São Bernardo, em parceria com instituições como Unisol, ADS-CUT, Centro de Formação Padre Léo, Sebrae, entre outras, é uma das referencias no País. Sob a orientação do prefeito Luiz Marinho, elaboramos e aprovamos, em 2010, a lei municipal de Fomento à Economia Solidária. Criamos o “Espaço Solidário”, em 2011, anexo à nossa CTR, possibilitando a comercialização e a integração desses empreendimentos. Em 2012, constituímos, em parceria com a Universidade Metodista e a Finep, a Incubadora de Empreendimentos Solidários (SBCSOL), que além de criar uma metodologia específica, apoia os empreendimentos com capacitações diversas.
Queremos ainda fortalecer a priorização dos empreendimentos solidários nas compras públicas; criar novos pontos de comercialização, como nos novos conjuntos habitacionais construídos pela Prefeitura; fomentar a criação de cadeias produtivas regionais; constituir políticas de incentivos fiscais e não fiscais; melhorar os produtos e os processos produtivos, de modo a alcançar certificações e elevar o patamar de materiais recicláveis.

*Jefferson Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Desenvolvimento local: promover um ambiente econômico de inovação


 14/01/2014 - ARTIGO
 
Por: Jefferson Conceição *

 

Na competição global, o diferencial das empresas está muitas vezes no conhecimento e na inovação
Em artigo anterior, iniciamos reflexão sobre as possibilidades das políticas de desenvolvimento econômico local. Tratamos do papel dos gestores públicos na construção de espaços como APLs e Foruns de Desenvolvimento, de forma a por adiante iniciativas dos diversos atores que compõem a Região. Hoje, trataremos do seu papel na promoção de um ambiente de inovação.
Na competição global, o diferencial das empresas está muitas vezes no conhecimento e na inovação. A manufatura continua fundamental, mas cabe dar atenção também à produção de valor intangível. Por isto, a política pública de regiões industriais deve apoiar a instalação e expansão de centros de P&D; departamentos de engenharia; laboratórios de testes e simulações – públicos ou privados. A proximidade com estes centros pesa na decisão de investimentos das empresas. Daí o nosso empenho para que o ABCD atraia um Laboratório de Segurança Veicular que atenda ao Brasil; por um Centro de Apoio à Inovação em Ferramentaria na região; e nossa cobrança da conclusão dos laboratórios de estudo de emissões da Cetesb, CPTM e Anfavea em São Bernardo.
O conhecimento não está restrito aos muros das empresas. Estas têm que busca-lo também em outras fontes como universidades, associações, sindicatos. Os gestores públicos podem ajudar a constituir um ambiente de inovação no qual o conhecimento circule entre segmentos diversos. Neste ambiente, surgem inovações, que são um diferencial em favor do território.
No ABCD - maior parque industrial da América Latina -, a política pública deve fazer com que as indústrias “dialoguem” parcerias com as universidades em áreas como formação de profissionais; estágios; P&D; construção e uso de laboratórios. É um diálogo difícil, porque os “timings” de indústrias e universidades são distintos. Os gestores públicos podem ajudar nesta aproximação. Temos feito isto por meio dos APLs. Ex: várias indústrias de móveis desconheciam que o Instituto Mauá possui um laboratório de testes de móveis corporativos, que presta serviços às empresas. Graças ao APL, elas puderam conhecê-lo. O mesmo ocorre com laboratórios de pesquisas da UFABC, Unifesp, FEI, Fasb, Umesp, F. Salvador Arena entre outras. Mais: a região pode se aproveitar de diversos planos federais e estaduais de apoio à inovação. Registre-se também nossa alegria com a inauguração, no ABC, em 2011, do Centro de Inovação Sueco-Brasileiro, que conecta empresas e universidades em nível internacional.
No Consórcio Intermunicipal e na Agência do ABC, buscaremos contratar pesquisa de “Inventário de Oferta Tecnológica”. O objetivo é conhecer os laboratórios e pesquisas produzidas pelas diversas instituições e empresas da Região. Essa oferta poderá então ser mais bem interligada com a demanda das empresas.
Outro esforço da Gestão Pública deve ser o de elaborar e aprovar Lei Municipal de Apoio à Inovação, com incentivos tributários e não tributários.
Os Parques Tecnológicos – assentados nas parcerias entre gestão pública, setor privado e universidades - são peças-chave desta estratégia.
*Jefferson Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Desenvolvimento econômico local: o que é possível fazer?


07/01/2014 - ARTIGO
 
Por: Jefferson J. da Conceição

 

chamaremos a atenção para o papel de “articulação” que podem exercer prefeitos e secretários na reunião das forças vivas da economia em projetos de interesse comum
É pertinente refletir sobre as potencialidades e limites das políticas de desenvolvimento econômico local. Chamaremos a atenção para o papel de “articulação” que podem exercer prefeitos e secretários na reunião das forças vivas da economia em projetos de interesse comum. Em breve nos debruçaremos sobre as alternativas relacionadas às políticas de geração de renda, centradas no empreendedorismo e na economia solidária.
Até 1970, o debate sobre o desenvolvimento econômico esteve restrito ao âmbito nacional. O que importava eram planos em nível do País: Plano Vargas, Plano Salte, Plano de Metas, PAEG, PND. Estes planos construíram as bases da economia brasileira, mas não geraram espaço para ações autônomas da localidade.
Nos anos de 1980 e 1990, mudanças profundas aconteceram. As políticas nacionais entraram em crise, em função da redução dos investimentos públicos, explicado pela crise fiscal, a preocupação com a inflação e a expansão das ideias liberais que almejavam um Estado mínimo. Por outro lado, crescia o interesse pelos fluxos financeiros e comerciais que se ampliavam em nível internacional, fruto da globalização. Estes fluxos criavam a possibilidade de atração de robustos investimentos.
Iniciou-se debate em torno do que deveriam fazer os gestores da economia local. São limitados os instrumentos em suas mãos. Não cabe a eles a definição da taxa de juros, taxa de câmbio, impostos como IPI e ICMS, imposto de Importação, tarifas públicas, salário mínimo. E não há muita margem para incentivo tributário, tendo em vista a necessidade de gastos em serviços públicos vitais à população. Isto não significa que não há o que fazer.
Uma das possibilidades é exercer o papel de articulador, para formar redes horizontais de cooperação envolvendo gestão pública, setor privado, instituições de ensino e pesquisa, agencias de crédito e sindicatos. Fazer emergir sinergias que a atuação isolada não permite, em áreas como novos mercados; qualificação de mão de obra; aproximação da oferta e da demanda em itens estratégicos, como os serviços tecnológicos; inovações produtivas e de gestão; compras coletivas; parcerias nacionais e internacionais. O gestor público pode, sem custo praticamente algum, fazer surgir uma “governança” público-privada e um “capital social” de grande valia. É este capital social que, a partir dos próprios recursos privados, incrementará a competitividade e moverá a atividade produtiva local.
Fóruns de Desenvolvimento Econômico e APLs (Arranjos Produtivos Locais) dialogam com esta estratégia, na medida em que juntam os atores na busca de resultados concretos, a partir de agenda geral e setorial, calcada em diagnósticos e metas. Em São Bernardo, sob a orientação do prefeito Luiz Marinho, seguimos esta trilha. Estão em funcionamento 11 APLs setoriais. Em breve, teremos o nosso Fórum de Desenvolvimento Econômico. Esta linha está também em consonância com as atuais políticas regionais desenvolvidas no ABCD.
*Jefferson J. da Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo.