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terça-feira, 14 de maio de 2013

Móveis mais baratos para os servidores


2 ABCDMAIOR | 14 e 15 de maio de 2013

 
Jefferson José da Conceição e José Augusto Pereira

O acordo para viabilizar a venda de móveis com desconto aos funcionários públicos na ativa e aos funcionários aposentados de São Bernardo, recentemente assinado entre a Prefeitura, os lojistas de móveis da cidade e o Sindserv SBC (Sindicato dos Servidores) pode servir como modelo a ser reproduzido em outros setores que representam peso expressivo no consumo das famílias e que têm peso elevado na estrutura industrial da Região.

 
Pelo acordo, os lojistas que aderiram e os que venham a aderir ao protocolo de intenções comprometem-se a oferecer aos servidores públicos, pelo prazo de sessenta dias, descontos de no mínimo 20% sobre o preço à vista de qualquer móvel a venda no interior das lojas, ou 10% sobre o preço a prazo.
 

São vários os objetivos do acordo. Um deles é aumentar os níveis de produção, emprego e renda, seguindo as diretrizes que orientam o APL (Arranjo Produtivo Local) deste segmento, coordenado pela Prefeitura. Esta medida contribui para dar sequencia ao processo de elaboração e execução de políticas públicas e privadas de fomento à cadeia moveleira. O APL é formado pela gestão pública, as indústrias, os lojistas, os trabalhadores, o Sebrae, o Senai, as universidades e as instituições representativas desta cadeia produtiva.


A aproximação e a cooperação resultaram no sucesso das quatro feiras de móveis ocorridas na rua Jurubatuba desde 2011. Mais ainda, estão entre os itens em discussão no APL: a oferta de mobílias a preços acessíveis para os conjuntos habitacionais; a constituição de um centro de design no futuro Parque Tecnológico; o melhor aproveitamento do laboratório de teste de móveis existente na região; a elaboração de novos cursos do Senai e do Sebrae; o acesso ao crédito; e a participação nos debates relativos à carga tributária representada pelo IPI e ICMS .

 
Até o momento, mais de duas dezenas de empresas já aderiram ao acordo de redução dos preços para os servidores. Todas elas situadas na área do entorno da Rua Jurubatuba. Entretanto, interessa ao APL Moveleiro contar também com a adesão das lojas da rua Marechal Deodoro, do Rudge Ramos, do Taboão, do Riacho Grande, entre outros bairros e áreas da cidade. Além de fomentar a atividade destas lojas, isto ajudará a abrir o leque de opções de preços e produtos para os servidores.

 
O acordo também se insere na política de valorização dos servidores públicos que o prefeito Luiz Marinho vem imprimindo em sua gestão. Neste sentido, cabe igualmente registrar outras ações implementadas e em andamento como a realização de cursos de capacitação pessoal e profissional, a melhoria na estrutura e no ambiente de trabalho, além do reajuste e aumento real dos salários.

 

*José Augusto Pereira é secretário de Administração e Modernização Administrativa de São Bernardo.

**Jefferson José da Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O empreendedorismo benvindo da pequena empresa


 

 

Muita gente acha que a grande empresa é a figura que melhor representa o dinamismo e a prosperidade do sistema econômico, pois ela movimenta milhões em faturamento. Seria o executivo da grande empresa a melhor síntese do vigor da economia de mercado. Será mesmo?

É possível argumentação oposta. Schumpeter, famoso economista do século XX, escreveu que o empresário individual, ao buscar o lucro e procurar ganhar a concorrência, tem como função social “inventar”: revolucionar uma forma de produção ou produto, de forma a explorar uma possibilidade nova. Foi assim com a energia elétrica, o aço, o vapor, o automóvel... É o empresário o responsável pela “destruição criadora”: a inovação tecnológica ou sua aplicação prática. O empresário pequeno, individual, seria este sim a célula viva do sistema.

Para Schumpeter, a grande empresa, embora admirada, gera estruturas monopolistas e burocráticas, reduzindo a competição e o espaço da pequena empresa. Sem querer, a grande empresa destruiria aos poucos a referida função do empresário, que é “inovar”. Ela tornaria o organismo econômico menos eficiente e menos democrático quanto ao poder e à riqueza. O próprio sucesso da grande empresa, com a concentração do capital, conduziria o sistema à crise.

Sem entrar no mérito das colocações de Schumpeter, fiquemos com o essencial aqui: o papel vital da pequena empresa.

No Brasil, a pequena empresa tem importância cada vez maior. Segundo o IPEA, entre 1998 e 2008, a cada 3 empregos criados, 2 ocorreram em empresas com até dez trabalhadores; 54% de todos os postos de trabalho estão nestas empresas.

A pequena empresa continua carecendo de apoio. Por isto, foi tão importante a assinatura pelo Governo Lula, em 2006, da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. A Lei procura tirar da informalidade negócios que hoje têm faturamento mensal de até R$ 5.000. São cabeleireiras, ambulantes, motoboys, costureiras, marceneiros... Reduz o pagamento de tributos; dá prioridade em licitações; possibilita o crédito; concede o benefício da aposentadoria por tempo de contribuição. Como esta lei também exige a sua aprovação no município, o Prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, enviou para a Câmara, e aprovou, em abril de 2010, a versão municipal da Lei. De acordo com a Receita Federal, 6540 microempreendedores estão em processo de formalização no município.

A atual gestão municipal constituiu também a Sala do Empreendedor, que objetiva atender o empreendedor com rapidez e atenção, fornecendo informações de documentação, crédito, apoio técnico, situação de processos etc. De setembro de 2011 (inauguração) até abril de 2012, a Sala promoveu também cursos de aperfeiçoamento empresarial para 1212 pequenos empreendedores!

Por isto, ficamos felizes pelo selo de “Prefeito Empreendedor” concedido pelo Sebrae-SP ao Prefeito Luiz Marinho, recentemente. Bom saber que estamos contribuindo para manter pulsante um dos motores de nosso desenvolvimento.

Jefferson José da Conceição é o Secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Trabalho e conhecimento


2 ABCDMAIOR | 7 e 8 de maio de 2013

 
Jefferson José da Conceição
 

A Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, criada em 1998, foi uma importante inovação institucional da Região. Fruto de um dos acordos da Câmara Regional do ABC, que funcionou em sua plenitude na segunda metade daquela década. A agência de Desenvolvimento e o Consórcio Intermunicipal são, desde então, diferenciais de organização institucional e competitividade da Região no País.

Instituição sem fins lucrativos, a agência, que teve como seu primeiro presidente o saudoso Prefeito Celso Daniel, tem como missão principal dar suporte em três áreas: a) implementação de plano de marketing (divulgando as potencialidades da Região); b) montagem de banco de dados; c) apoio ao fomento da atividade econômica regional. Os sócios da agencia hoje são o Consórcio Intermunicipal; as associações comerciais e industriais dos sete municípios; os sindicatos; as empresas do polo petroquímico; as universidades. Esta composição revela sua natureza mista, não estatal.

A Agência do Grande ABC teve sua constituição inspirada na experiência de agências europeias. Uma delas é a Agencia Sviluppo Nord Milano, de Sesto San Giovanni, cidade que faz parte da região metropolitana de Milão, e que, ao longo do século 20, abrigou empresas de grande  porte como Pirelli, Magnetti Marelli, Breda e Campari. Sesto San Giovanni, que tem cerca de 100 mil habitantes, também sofreu com a saída de empresas (Falk, Magnetti Marelli, Breda), o desemprego e a queda da qualidade de vida. O processo estimulou a construção de parcerias entre o setor público e o setor privado, lideranças políticas e representações sindicais. Outra experiência de agência

que foi alvo de atenção quando da criação de nossa agencia é a do Vale do Ruhr, na Alemanha. Nessa região, a partir da mobilização e da aproximação de poder público, setor privado, sindicatos e outros, constituiu-se uma agencia com a função de elaborar políticas de desenvolvimento econômico local.

 Quinze anos depois, o Brasil ainda carece de políticas nacionais de suporte às iniciativas de organizações subnacionais, como são os consórcios e as agências. Apesar disso, a Agência de Desenvolvimento tem  contribuído de fato para o nosso desenvolvimento. Entre os principais trabalhos já realizados destacam-se a Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região, em parceria com o Seade-Dieese; o apoio à constituição de incubadoras de empresas; o Projeto ABC-Milano; a divulgação de informações sobre financiamento às empresas; o apoio aos APLS (arranjos produtivos locais), a realização de estudos, fóruns e seminários, entre outros.

A posse da nova diretoria da agência – que agora tem como presidente o sindicalista Rafael Marques, e como vice-presidente, o professor, Joaquim Freire– traz expectativas positivas. O tema da inovação, tecnologia e qualificação tem sido trabalhado como prioridades, tanto por  sindicatos quanto por universidades. A dobrada “trabalho e conhecimento” no comando da agência, apoiada por todos os demais setores, pode criar as condições para um novo salto na Agencia.

 

 

*Jefferson da Conceição é o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo

terça-feira, 30 de abril de 2013

Pelo Inovar-Peças no Inovar-Auto Já


2 ABCDMAIOR | 30 de abril e 1 de maio de 2013

Jefferson José da Conceição
 

Em 24 de abril ocorreu em São Bernardo o seminário “Inovar-Auto: desafios e  oportunidades para a Região”. Trabalhadores, empresários, poder público e instituições de ensino e pesquisa debateram o novo regime automotivo brasileiro, o ‘Inovar-Auto’. Na ocasião, deu-se a entrega, aos representantes do governo federal, de carta elaborada no âmbito do APL (Arranjo Produtivo Local) de Autopeças do ABCD, ora em formação e de cuja coordenação participamos.

Na carta, reconhecemos que o Inovar-Auto é um avanço. Pela primeira são exigidas contrapartidas em inovação tecnológica aos incentivos tributários. É possível avançar no Inovar-Auto, caso atenção especial seja dada à base da pirâmide da cadeia automotiva, composta por segmentos como fundição, usinagem, ferramentaria, pequenas peças, máquinas etc. Apesar do crescimento da produção automotiva nacional, esta base vem se desestruturando e perdendo participação no fornecimento à produção de veículos. O déficit comercial no setor de autopeças, em 2012, atingiu US$ 5,7 bilhões.

 Estão na raiz das preocupações a gradativa redução da participação dos mencionados itens nos projetos de veículos; a perda da competitividade do setor nacional de autopeças e seus fornecedores, bem como a diminuição de sua capacidade de modernização; a falta de eficácia dos atuais programas de inovação e de qualificação profissional; além da dificuldade do efetivo acesso ao crédito, sobretudo as empresas de pequeno e médio porte.

 A carta defende o Inovar-Peças no Inovar-Auto. São apresentadas21 propostas. Entre elas: 1) garantir a efetivação dos índices de nacionalização de peças e componentes;

2) apoiar a estruturação de APLs regionais para setores ligados à cadeia automotiva; 3) promover, por meio de incentivos tributários e de crédito, parcerias nacionais e internacionais no setor de autopeças; 4) desonerar os bens de produção produzidos no Brasil para as empresas de autopeças e montadoras; 5) implantar plano de  renegociação de dívidas para micro, pequenas e médias empresas para resolver o problema da emissão de CND; 6) construir linhas de crédito para a base da pirâmide, por meio do BNDES e de intermediários que assumam o risco do financiamento, tendo como garantia os pedidos das montadoras e sistemistas; 7) regulamentar o gasto obrigatório das montadoras em inovação, engenharia e desenvolvimento de  fornecedores, para que parte desses recursos sejam gastos “fora” das montadoras; 8) obrigatoriedade de que as montadoras despendam localmente os gastos exigidos pelo

Inovar-Auto em centros de engenharia independentes, universidades, parques tecnológicos e projetos de qualificação profissional para a modernização da base da pirâmide nas regiões em que estão instaladas as montadoras; 9) alterar a esoneração da folha do setor de autopeças, permitindo que a mesma atinja a totalidade da empresa, de para viabilizar estratégias de diversificação da produção.

O próximo passo é aprofundar com o governo as propostas da carta, tornando-as realidade.

*Jefferson José da Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo.

#industriaautomobilistica#politicaautomotiva

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Acordo histórico no setor moveleiro


 
 
 
 
 

 

 
Iniciativa é passo importante no esforço da revitalização da cadeia produtiva

O recente acordo que reduziu os preços dos móveis para os moradores dos conjuntos habitacionais, promovido pela Prefeitura de São Bernardo, com a assinatura do prefeito Luiz Marinho e de representantes da cadeia produtiva moveleira (indústria, lojistas e sindicatos de trabalhadores), é de fato histórico. Representa passo importante no esforço da revitalização da cadeia produtiva que, nas últimas décadas, esteve sob o risco do desaparecimento em nossa Região.
Guerra fiscal, falta de atualização de produtos, inadequação de processos produtivos e ausência de políticas públicas e privadas de apoio resultaram no deslocamento de inúmeras empresas do ABCD para outros municípios e estados. Em São Bernardo, entre 1998 e 2008, o número de estabelecimentos foi reduzido em 35%. No mesmo período, o número de empregados com carteira caiu de 2.342 para 1.790.
A realização e o sucesso de duas edições da Feira de Móveis na rua Jurubatuba em 2011, na parceria que envolveu a Prefeitura e os lojistas, foi o primeiro passo em uma sequencia de ações planejadas pelo Grupo de Trabalho (GT) do setor moveleiro de São Bernardo. O Senai e o Sebrae também fazem parte do GT.
O acordo, que tem validade por 12 meses, estabelece o seguinte.
a) Para os moradores dos conjuntos habitacionais construídos pela Prefeitura será concedido desconto de no mínimo 25% sobre o preço à vista de qualquer móvel que esteja sendo vendido nas lojas integrantes do acordo, e de no mínimo 15% sobre o preço a prazo.
b) Compromisso da cadeia moveleira (indústria e lojistas) de que, nas próximas inaugurações de apartamentos nos conjuntos habitacionais, a indústria local apresentará protótipo de apartamento decorado apenas com móveis produzidos pela indústria local. A intenção é demonstrar que os móveis produzidos em São Bernardo e Região estão aptos a mobiliar, com preços reduzidos e boa qualidade, não apenas as unidades habitacionais, mas os lares em geral.
c) No âmbito do GT, desenvolver políticas em torno de temas estratégicos para o incremento do investimento, modernização e competitividade do setor, tais como a requalificação da rua Jurubatuba; a melhoria dos níveis de escolarização e capacitação profissional dos trabalhadores do setor, bem como a melhoria das relações de trabalho no interior das empresas;  a participação dos representantes da cadeia moveleira na Associação Parque Tecnológico de São Bernardo, ora em constituição, e que possibilitará a montagem de empresas de design de móveis.
Há ainda outros pontos que merecem atenção. São os casos do apoio à formalização, capacitação e modernização do grande número de marceneiros independentes que temos no ABCD, e da formulação e execução de uma política de reciclagem de madeira.
Por tudo isto é que temos certeza que, com estas e outras ações planejadas para o setor moveleiro, a palavra “crise” está pouco a pouco dando lugar à outra que é a da “retomada” da produção, das vendas e do emprego.
*Jefferson José da Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Mais do que um carro, um futuro


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28/03/2013 - ARTIGO
 
 
 
Por: Jeferson José da Conceição

 

 

New Fiesta é a certeza na manutenção da Ford em São Bernardo
Jeferson José da Conceição*
O anunciado investimento da Ford na planta de São Bernardo reveste-se de importância para o ABCD e o Brasil. Mais do que um veículo novo (o New Fiesta), o que está em jogo é a inclusão desta fábrica na estratégia global da empresa. Há agora um horizonte. Os investimentos serão superiores a R$ 1,2 bilhão (R$ 800 milhões na produção de automóveis; R$ 450 milhões em caminhões). Serão centenas de novos postos de trabalho até 2014.

Os investimentos ganham maior relevância ainda, sabendo-se dos riscos que a fábrica correu ao longo da década de 1990 e início dos anos 2000. Aquele momento de desestruturação industrial foi marcado por tensões. Lembremo-nos da greve dos “golas vermelhas” na Ford em 1990, com a paralisação de 900 trabalhadores da ferramentaria e manutenção ou do protesto “FHC não rima com ABC”, na visita do então presidente da República à fábrica em 1997.

O amadurecimento das relações entre a Ford, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a Representação Interna dos Empregados foi fundamental para o enfrentamento daqueles tempos difíceis. Exemplo desse avanço ocorreu ao final de 1998, início de 1999. Na véspera do Natal, a empresa demitiu, por carta, 2,8 mil trabalhadores (41% do total). O sindicato e a representação interna orientaram os trabalhadores (demitidos ou não) a vestir o uniforme e entrar na fábrica para trabalhar. A empresa reconheceu o simbolismo deste ato, suspendeu as demissões e aceitou um acordo de lay off (suspensão dos contratos, mas sem a rescisão). Os empregados ficariam 19 meses realizando cursos, recebendo, porém, salário integral.

Empresa e lideranças sindicais têm inovado nas relações de trabalho. Foi assim em 1995, quando ocorreu o acordo para redução da jornada sem redução de salários, de 44h para 42h (e hoje 40 horas) semanais em média, em troca da flexibilização da jornada e do banco de horas.
A maturidade fez com que, ao longo de 2011, empresa, sindicato e representação interna negociassem as condições para viabilizar os investimentos do New Fiesta. Foram criados mecanismos aceitáveis pelos quais o custo unitário da produção do veículo pudesse, até o final de 2015, aproximar-se do custo mexicano (a planta de São Bernardo disputou com a planta do México os investimentos). O sindicato e a representação interna são corresponsáveis pela vinda deste investimento.

A partir do governo Lula, e agora com a presidente Dilma, o ambiente de amadurecimento passou a ser facilitado e potencializado. A indústria foi valorizada como fonte geradora de produção, empregos e tecnologia. Prova disso são as imensas possibilidades abertas pelo novo Regime Automotivo Brasileiro, o “Inovar Auto”. A Região, liderada pelo prefeito Marinho (um dos artífices dos históricos acordos na Ford), está atenta a este novo quadro. Os APLs de ferramentaria e de autopeças atestam isto.
Parabéns a todos os que contribuíram para que a Região se tornasse um celeiro de acordos inovadores, como este realizado na Ford em São Bernardo.
Jeferson José da Conceição é secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo

 

terça-feira, 19 de março de 2013

Cooperação como instrumento de política industrial


ABCDMAIOR | 19 e 20 de março de 2013

Jefferson José da Conceição*

O APL (Arranjo Produtivo Local) de Ferramentaria do ABCD, criado  em 2011, aos poucos se constitui como um “case” de sucesso de política industrial regional. Empresas, apoiadas pelo poder público, perceberam que, sem abdicar da concorrência, podem e devem utilizar da cooperação como instrumento em seu próprio benefício.

O que move as empresas a buscar a cooperação é a crise, gerada pelos novos competidores, especialmente a China; a redução das encomendas das montadoras. Nos últimos cinco anos, o País apresentou déficit na balança comercial de ferramentais de US$ 1,2 bilhão. Este quadro levou com que alguns empresários do segmento, as prefeituras da Região (com destaque para São Bernardo e Diadema), o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Abifa, a Abinfer e a Abimag a buscar soluções conjuntas.

Os objetivos que o APL fixou para si são: a) fortalecer o associativismo e a cooperação entre as empresas; b) diálogo com as montadoras, para incluir as ferramentarias nacionais nos futuros projetos de veículos; c) prospectar novos mercados, especialmente nas promissoras áreas de petróleo e gás e da indústria de defesa; d) dialogar com as instituições financeiras, para viabilizar o crédito para o segmento; e) incluir a engenharia de ferramentais em projetos de inovação tecnológica.

Entre as ações em curso e as realizações já alcançadas pelo APL de Ferramentaria estão: 1) A participação do APL no grupo de trabalho do governo federal que trata do Regime Automotivo; 2) A inclusão dos moldes e ferramentais entre os itens beneficiados pelo Inovar-Auto (novo regime automotivo); 3) O início das conversações com as montadoras, para incrementar as encomendas no Brasil; 4) A reunião, em janeiro, do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, acompanhado da Coordenação do APL, com o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando  Pimentel, na qual foram debatidas as políticas de financiamento, regime automotivo, manutenção de alíquotas da Tarifa Comum do Mercosul para itens sensíveis; 5) Diálogo com o BNDES, para um programa de financiamento ao setor – o “Pro-ferramentaria”; 6) O início de uma programação de visitas de universidades à empresas, e, no sentido inverso, de empresas à universidades, cuja finalidade é buscar sinergia em projetos de P&D; 7) A abertura de discussões no APL sobre a formação de um Birô de Engenharia, que envolve um diálogo com universidades como UFABC, FEI e Instituto Mauá, bem como com o Senai e o Sebrae; 8) a busca de diálogo com parceiros internacionais, como o instituto HIDA, do Japão, para joint ventures e parcerias com empresas daquele país; 9) A participação do APL na fundação da Associação Parque Tecnológico de São Bernardo; 10) O avanço na discussão do Estatuto do APL; 11) A constituição do site www.aplferramentaria.com.br.

O modelo de sucesso do APL de ferramentaria pode, com adaptações, servir para outros setores, como autopeças, químico, gráfico e defesa, que também estão constituindo com o nosso apoio seus APLs.

 
*Jefferson José da Conceição é o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São
ernardo.